Setor financeiro reforça cooperação contra fraudes digitais e destaca avanço do selo de prevenção a fraudes

28 de maio de 2026

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Promovido pela Fin em parceria com entidades do setor, evento em São Paulo debateu desafios regulatórios, avanço dos golpes digitais e estratégias para ampliar a proteção dos clientes e a confiança no sistema financeiro

A Fin – Confederação Nacional das Instituições Financeiras realizou nesta quarta-feira (28), em São Paulo, o Encontro de Prevenção a Fraudes, em parceria com entidades do setor financeiro. O evento reuniu especialistas, executivos e representantes de instituições financeiras para discutir estratégias de segurança, inovação e combate às fraudes digitais diante da crescente sofisticação dos crimes financeiros.

A presidente da Fin, Cristiane Coelho, destacou a importância da atuação conjunta do setor financeiro no combate às fraudes e na construção de um ambiente digital mais seguro para instituições e consumidores.

“Segurança e credibilidade são os maiores ativos do setor financeiro. Não podemos perder espaço para fraudes, criminosos e novos golpes. Por isso, construímos um selo em conjunto, baseado em múltiplas camadas de proteção e no compromisso das instituições com a segurança das transações”, afirmou.

Ela anunciou que o foco da entidade é ampliar cada vez mais essa rede de parceiros. “Estamos, inclusive, em processo de construção junto ao Banco Central para consolidar os próximos passos dessa iniciativa, que representa um avanço importante para o setor. Queremos que o selo se torne uma referência, um verdadeiro benchmark de segurança e boas práticas para o mercado financeiro”, completou.

O evento contou com a participação de entidades associadas, como Associação Brasileira de Bancos (ABBC), Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi), Associação Brasileira de Instituições de Pagamentos (ABIPAG), Associação Nacional das Corretoras e Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários, Câmbio e Mercadorias (Ancord), Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e Zetta.

Na abertura do evento, o CEO da Associação Brasileira de Bancos (ABBC), Leandro Vilain, afirmou que a confiança é um dos pilares centrais do sistema financeiro e alertou para a evolução do crime cibernético e da atuação das organizações criminosas. Segundo ele, as fraudes deixaram de ser apenas uma questão operacional e tecnológica e passaram a exigir uma resposta cultural e institucional mais ampla.

Vilain também defendeu medidas mais rigorosas para combater o avanço do crime digital, incluindo o endurecimento da legislação, maior responsabilização de envolvidos em esquemas fraudulentos e a revisão da liquidação instantânea de grandes volumes em operações com ativos digitais. O executivo ressaltou ainda que iniciativas como o Selo de Prevenção a Fraudes fortalecem os padrões de governança e reforçam a confiança dos clientes no sistema financeiro.

Ainda na abertura, Adriano Volpini, Partner & Head of Corporate Security do Itaú, afirmou que o enfrentamento às fraudes exige cooperação entre as instituições financeiras. Segundo ele, é fundamental sufocar o financiamento do crime organizado, especialmente por meio do combate às contas laranja, utilizadas para movimentar recursos ilícitos e viabilizar golpes financeiros.

Painéis

O primeiro painel do encontro, “Selo de Prevenção a Fraudes – Estratégia em Ação”, reuniu Natália Grigolin, sócia de Prevenção a Crimes Financeiros da EY; Guilherme Favaro, head de Fraud Prevention do Santander Brasil; e Leandro Kranz, gerente de Operações e Prevenção a Fraudes no Paraná Banco.

Os especialistas destacaram a evolução do selo ao longo dos ciclos de avaliação e o papel da iniciativa no fortalecimento da governança, dos controles internos e da maturidade das instituições financeiras. Durante o debate, foram abordados temas como validação documental, biometria facial, mecanismos de prova de vida, uso de múltiplos fatores de autenticação e monitoramento de comportamento durante a abertura de contas.

Os participantes também ressaltaram a necessidade de elevar continuamente os padrões de prevenção diante da sofisticação crescente das fraudes digitais.

Na sequência, o painel “Pix Seguro e Cibersegurança: Estratégia, Inovação e Prevenção a Fraudes” reuniu Luis Vissotto, head da Divisão de Segurança e Antifraude do Pix no Banco Central do Brasil; Valdir Assef Júnior, representante do Laboratório de Segurança Cibernética da Febraban; Fábio Diniz, presidente e diretor do Centro de Inteligência do INCC (Instituto Nacional de Combate ao Cibercrime e Terrorismo); e a moderadora Cíntia Falcão, diretora-executiva da Acrefi.

Os painelistas discutiram os desafios relacionados ao avanço do crime digital e às estratégias de proteção do sistema financeiro. Entre os principais temas debatidos estiveram a evolução do Mecanismo Especial de Devolução (MED 2.0), o aumento da capacidade de rastreamento de recursos desviados, a identificação de contas laranja e a importância do compartilhamento de inteligência entre instituições.

Durante o debate, o representante do Banco Central destacou que as fraudes começam, em geral, na abertura de contas e defendeu processos mais robustos de onboarding, com uso obrigatório de biometria, validação de dispositivos, múltiplos fatores de autenticação e monitoramento de comportamentos suspeitos, como a criação acelerada de contas e ataques de leitura a bases de dados.

O painel de encerramento, “Boas Práticas de Prevenção a Fraudes: Experiências do Ecossistema Financeiro”, reuniu Cristiano Moura, diretor de Segurança Corporativa do Bradesco; Luiz Paulo Azevedo Bittencourt, gerente-geral de Segurança Institucional do Banco do Brasil; Lee Waisler, head de Atendimento e Antifraude da XP; e a moderadora Tatiana Aranguiz, superintendente executiva da ABIPAG.

Os participantes compartilharam experiências práticas e aprendizados relacionados à prevenção de fraudes no dia a dia das instituições financeiras. O debate destacou a integração entre áreas de prevenção à fraude, PLD e cibersegurança, além da importância da troca de informações entre instituições para impedir a atuação do crime organizado e fortalecer a proteção aos clientes.

Fonte: Fin em parceria com a ABBC